Quando a Ansiedade Bate na Porta (E a Gente Precisa Escutar)
- Carla FERREIRA

- 29 de mai. de 2025
- 3 min de leitura

A ansiedade tem sido chamada de mal do século, e com razão. Segundo a OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com cerca de 9,3% da população convivendo com o transtorno. E eu? Sou parte dessa estatística.
A ansiedade, pra mim, não chega com educação, ela vem como um soco no estômago, aquele aperto no peito, um mal-estar que avisa: “Ei, algo está errado.”
O mais curioso (ou cruel) é que ela quase sempre aparece em um domingo a noite, quando minha mente já começa a trabalhar no que pode dar errado. E aí já começo a questionar: será que vou dar conta da semana? Do volume de trabalho? De mim?
Durante um bom tempo, consegui deixar esses sentimentos no passado, minhas angustias eram pequenas. Estava num momento feliz, estável, realizado. Mas recentemente, como num filme que volta do nada, alguns gatilhos reacenderam esse ciclo de ansiedade. Gatilhos esses que, hoje, consigo nomear e dividir com o Mozão e isso faz toda a diferença.
💬 “Falar alivia." Compartilhar com alguém de confiança me ajuda a entender o que está por trás: um clima de cobrança? Um ambiente que exige mais do que entrega? Uma autocobrança disfarçada de ambição? Medo?
Essa foi a primeira vez que senti, de verdade, como é passar por um "bug no sistema". A sensação de que algo muito errado está acontecendo dentro de você e, pior, acreditar que vai morrer. Foi assustador. Perceber que estou enfrentando uma fase intensa, em que o corpo e a mente entram em colapso, me fez enxergar o quanto precisamos estar atentos aos sinais. O desespero, a falta de ar, a mente fora de controle... é tudo muito real, e muito difícil de explicar para quem nunca viveu.
Foi um episódio marcante e, sinceramente, espero que nunca mais se repita.
O mais curioso, ou talvez estranho, é que todo esse turbilhão de sentimentos não vem da sobrecarga materna, que eu sei que existe e é real. Na verdade, vem do ambiente em que estou inserida, especialmente o ambiente de trabalho. Nas minhas pesquisas, percebi que isso é mais comum do que imaginamos. Grande parte das pessoas ansiosas hoje tem seus gatilhos diretamente ligados ao trabalho: pressões, ambientes tóxicos, falta de equilíbrio. E como minha terapeuta disse com toda razão: "Passamos a maior parte do nosso dia no trabalho... e, quando não estamos nele, estamos resolvendo outras demandas."
É um ciclo que esgota. E reconhecer isso já é um primeiro passo para quebrar o padrão.
E vamos à luta, né? Por aqui, a meta é clara: nada de repetir episódios de “bug no sistema”!
Ah, e claro pedi dicas lá no Instagram e separei algumas que podem ajudar:
E quando a ansiedade bate, eu:
Faço exercícios de respiração (tem um app ótimo chamado “Lojong”, fica a dica);
Procure uma atividade que te conecte, faça você se concentrar ali: com dançar;
Entre na moda dos bobbie goods, tenha o seu, desconecte;
Acorde sem um celular na mão, crie sua rotina com calma;
Tenha hábitos inegociáveis: exercícios, leitura, um bom café
Converso com minha mente e resgato o que é real (e não o que poderia acontecer);
Leia livros aleatórios, nada de ocupar a mente, e sim relaxar ;
Escreva, fale, respire, e tente não lutar contra, mas entender o que ela está querendo me mostrar.
📚 Também recebi indicação de alguns livros que pretendo ler e entender um pouco mais o controle da mente:
Ansiedade – Augusto Cury
O corpo guarda as marcas – Bessel van der Kolk
O mito do normal – Gabor Maté
A verdade é que estamos exigindo demais de nós mesmos. Queremos ser produtivos, perfeitos, impecáveis. Mas esquecemos que não somos máquinas. E produtividade sem limite vira exaustão mental que não só mina a criatividade como rouba a alegria de viver.
E o mais importante é ter alegria de viver!! É realmente ter paz, equilíbrio ...
É sobre ser você. Olhar para dentro, com saúde emocional, limites bem definidos e propósito no que se faz. Hoje, meu termômetro é simples: isso me empolga ou só me deixa ansiosa?
A maturidade me ensinou que existem lugares onde não preciso estar — mesmo que financeiramente pareçam importantes. E mais: aprendi que não dou conta de tudo. E tudo bem. Nãos serão ditos com leveza e consciência.
🌱 A vida não é uma planilha de produtividade. É um processo. É movimento. E é tudo bem pausar.
Se você sente isso também, saiba que não está só. E mais: você não precisa vencer a ansiedade sozinha.
Vamos conversar mais sobre isso?








Incrível amiga! Realmente é o mal do século, por aqui também não é fácil, e ter que “equilibrar os pratinhos” é uma tarefa diária! Obrigada por esse texto tão real, me identifiquei muito! 🤍